
| Bioespeleologia |
|
|
|
|
A Bioespeleologia é o ramo da Biologia que se dedica ao estudo dos seres vivos que ocorrem no ecossistema cavernícola. - 1. Factores climáticos importantesA luz permite caracterizar a gruta em 3 zonas muito importantes do ponto de vista bioespeleológico.
A Temperatura apresenta variações diminutas e é, normalmente, igual à média das temperaturas anuais exteriores.
- 2. Dados históricosO mundo subterrâneo, desde cedo, cativou o homem e muito se extrapolou sobre monstros que habitavam as profundezas das cavernas. A história da bioespeleologia começa em 1689,quando Barão Johann Weichard Valvasor descreve a existência de um 'dragão' que habita o mundo subterrâneo, que 79 anos depois é descrito por Laurenti como sendo o anfíbio troglóbio Proteus anguinus. Em 1831, o Conde Franz von Hohenwartrecolhe o primeiro coleóptero cavernícola, Leptodirus hohenwartii. - Ainda no século XIX, Schiodte publica "Specimen Faunae subterraneae", uma extensa obra onde descreve e introduz o conceito de Espeleobotânica, que viria a cair em desuso pelo facto das plantas apenas habitarem as zonas de entrada penumbra das cavidades. Só em 1904, Armand Viré introduz o termo Bioespeleologia. - 3. Flora cavernícolaNão se pode falar de uma flora cavernícola propriamente dita, porque sendo dependente da fotossíntese, a flora está confinada à zona iluminada e de penumbra, sendo incapaz de sobreviver na zona profunda. Esta exibe uma gradação quanto à sua distribuição em função da abundância de luz: plantas superiores, seguidas de Briófitos e algas endolíticas.![]() Fenómeno de fluorescência, zona de penumbra - 4. FungosOs fungos desenvolvem-se por cima de matéria orgânica, digerindo-a. Por um processo de digestão extracelular, os fungos excretam enzimas digestivas sobre a matéria orgânia.São mais comuns em zonas de aporte de matéria orgânica. Estes formam esporos que só germinam em condições favoráveis. ![]() Fungo desenvolvido sobre dejectos de rato no interior de uma cavidade vulcânica - 5. Comunidades bacterianasSão os organismos vivos mais abundantes no meio cavernícola.Nas zonas com luz existem cianobactérias, bactérias fotossíntéticas, que em muitos casos, vivem dentro da rocha (endolíticas). As bactérias heterotróficas ocupam-se da decomposição da matéria orgânica. As bactérias quimiolitotróficas vivem nas argilas e nos calcários e produzirem matéria orgânica a partir de matéria mineral. As nanobactérias, de dimensões ínfimas são abundantes em rochas e minerais e muitas delas, são responsáveis for fenómenos de precipitação do carbonato de cálcio, aparecendo associadas a múltiplas formas de concreções subterrâneas. ![]() Colónias de bactérias quimiolitotróficas, 'Cave Slime' - 6. Fauna cavernícolaPodem-se classificar os animais, com base na forma como utilizam o ambiente cavernícola.Os termos: troglóxenos, troglófilos e troglóbios, são utilizados para definir categorias ecológicas. Trogloxenos: São habitantes ocasionais, podem ser encontrados nas grutas devido a mudanças de condições climatéricas exteriores ou por acidente. Os mais comuns são os anfíbios, os répteis e uma grande diversidade de invertebrados. ![]() Salamandra salamandra Troglófilos: São animais que não vivem exclusivamente nas cavernas, mas que as utilizam em fases do seu ciclo de vida, para abrigo ou reprodução. São exemplo, várias espécies de morcegos, a gralha-de-bico vermelho e uma quantidade imensa de Artrópodes.
TROGLÓBIOS - os verdadeiros cavernícolas: São organismos altamente especializados e perfeitamente adaptados ao meio subterrâneo, sendo dele exclusivos. A maioria pertence ao filo Arthropoda (ex: aranhas, centopeias, peudoescorpiões, insectos). ![]() Aranha troglóbia do Maciço Calcário Estremenho: Nesticus lusitanicus Estes organismos exibem troglomorfismos - adaptações ao meio subterrâneo, são de tal forma especializados que não sobrevivem na superfície. Por se encontrarem adaptados às condições estáveis do meio cavernícola, são altamente sensíveis a perturbações. Para fazer face à escassez de recursos alimentares, os troglóbios criaram estratégias de desenvolvimento que passam pela poupança energética. A sua única garantia de sobrevivência é a conservação integral do meio em que vivem. ![]() Aranha troglóbia de Tenerife: Dysdera unguimannis - 7. Morcegos cavernícolas e Fauna do GuanoMorcegos cavernícolas São, provavelmente, os habitantes mais conhecidos do meio cavernícola. ![]() Morcego de peluche - Miniopterus schreibersii Algar do Ladoeiro Os morcegos são mamíferos da ordem dos Quirópteros. Estes não possuem asas, voam recorrendo a uma membrana interdigital. Têm uma visão reduzida e orientam-se por um processo de ecolocação, emitindo ultra-sons pela laringe que são captados após reflecção e se baseia-se no fenómeno físico do Efeito de Doppler. Estes mamíferos hibernam no Inverno, sozinhos ou em colónias, conforme a espécie. Nos climas temperados alimentam-se, essencialmente, de insectos.
Fauna do Guano: A existência de excrementos de morcegos suporta um tipo comunidade designado, Fauna do Guano que é composta pelos Guanóbios, que se alimentam guano e os Guanófilos que vivem mais afastados e são os predadores dos Guanóbios. A fauna do guano não é considerada troglóbia. ![]() Colêmbolo guanóbio Algar da Lagoa - 8. Adaptações dos Troglóbios - TroglomorfismosOs troglóbios evoluíram no sentido de se adaptarem ao meio onde vivem. Especializaram-se de tal forma que são incapazes de sobreviver no exterior.Todo o seu ciclo de vida se desenvolve no interior das cavidades. As populações de troglóbios são reduzidas em número e muitas vezes também o são em diversidade. O conjunto de adaptações morfológicas, fisiológicas e ecológicas que os troglóbios apresentam são designadas troglomorfismos e são fruto de uma evolução designada regressiva. ![]() Os principais troglomorfismos são:
- 9. Proteus - um troglóbio emblemáticoÉ o troglóbio mais emblemático e o único vertebrado troglóbio da Europa.Endémico da Eslovénia é o símbolo do país. Habita cavidades e vive preferencialmente dentro de água. É um anfíbio urodelo, despigmentado e anoftálmico. Possui características primitivas no seu estado adulto. Respira por três tipos diferentes de processos de trocas gasosas: através das 6 brânquias externas que lhe permitem respirar dentro de água, através de 1 par de pulmões funcionais e e através da pele, por hematose cutânea. Atinge a maturidade sexual entre os 14 e os 18 anos e é simultaneamente ovíparo e vivíparo, isto é, tanto pode por ovos como ter gestação embrionária. Tem uma elevada resistência a jejuns prolongados, pode passar um ano sem se alimentar. Mede cerca de 30 centímetros e pode chegar aos 100 anos de idade. A sua existência foi durante muitos anos envolta em mistério, era tido pelas populações locais como um juvenil de grandes dragões que habitavam as cavernas. - 10. Vulnerabilidade do património bioespeleológicoA incapacidade de sobreviver fora do ambiente subterrâneo, torna a fauna troglóbia extremamente vulnerável a qualquer alteração do seu meio.As principais ameaças são: 1. Poluição antropogénica - que se infiltra através de percolação ou que é propositadamente, introduzida no meio cavernícola, como por exemplo: esgotos canalizados para o interior de cursos de água subterrâneos, descargas ilegais, fertilizantes utilizados na agricultura, esgotos industriais e urbanos. 2. Extracção de inertes - conduz à total destruição dos sistemas subterrâneos. ![]() Exemplo de uma, das muitas, pedreiras do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC) 3. Desflorestação e destruição/alteração do coberto vegetal - provoca alterações no pH do solo e consequentemente no pH da água que se infiltra no meio subterrâneo. 4. Vandalismo - em todas as suas formas. 5. Turismo espeleológico - em todas as suas formas. - - Texto e fotos: S. Reboleira
|







A história da bioespeleologia começa em 1689,
Em 1831, o Conde Franz von Hohenwart











Os principais troglomorfismos são: